As descobertas da Voyager 2 infographic
A infografia mostra as descobertas feitas pela Voyager 2 no limiar do espaço interestelar.
GN39690

ESPAÇO

Voyager 2 entra no espaço interestelar

By Duncan Mil

November 7, 2019 - Há um ano, a sonda Voyager 2 da NASA enviou as suas primeiras medições do espaço interestelar, recolhidos após viajar cerca de 18.000 milhões de quilómetros. Agora, os dados da Voyager 2 estão a dar aos cientistas uma nova visão do limiar entre a esfera de influência do Sol e o espaço interestelar.

A Voyager 2 ultrapassou o limiar exterior da helioesfera -- uma enorme bolha de partículas carregadas que protegem o Sistema Solar dos raios cósmicos de alta energia da galáxia Via Láctea -- a 5 de novembro de 2018, mais de seis anos depois da sua irmã gémea, a sonda Voyager 1.

A sonda atravessou o limiar entre a helioesfera e o espaço interestelar a 119 unidades astronómicas (UA) do Sol. Uma UA é a distância média entre a Terra e o Sol, que é de cerca de 150 milhões de km -- designado heliopausa -- a cerca de 17.850.00 milhões de km do Sol.

A Voyager 1 fez o atravessamento sensivelmente à mesma distância, 121,6 AU. Esta distância é surpreendente, disse o cientista do projeto Voyager Ed Stone, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena.

“A própria helioesfera inspira e expira”, dissed Stone, referindo-se ao ciclo solar de 11 anos. O atravessamento da Voyager 2 ocorreu durante um mínimo solar, quando a atividade do sol é menor. A Voyager 1 atravessou durante um máximo solar, quando as ejeções de massa coronal lançam enormes quantidades de plasma para o espaço exterior.

A Voyager 2 confirmou que as partículas solares se estendem maos de 160 milhões de km para além da heliopausa. Os dados também mostram que as partículas interestelares exercem até 10 vezes mais pressão na helioesfera do que anteriormente se pensava.

A Voyager revelou que a 225 milhões de km da heliopausa, o plasma solar abranda, aquece e duplica de densidade. É onde o vento solar encontra os “ventos interestelares das supernovas que explodiram há milhões de anos”, disse Stone. Do outro lado do limiar, o plasma interestelar está entre 30.000 e 50.,000 graus Celsius -- muito mais quente do que se esperava -- e é 20 vezes mais denso que o plasma solar.

As duas Voyager são alimentadas por três geradores termoelétricos de radioisótopos (RTG), que convertem em eletricidade o calor gerado pela desintegração do plutónio 238.

A equipa da missão já desligou os aquecedores e instrumentos científicos para reduzir o consumo de energia. Dos 10 instrumentos iniciais, a Voyager 2 mantém em funcionamento cinco dispositivos. As sondas gémeas podem provavelmente recolher e enviar dados por mais cerca de cinco anos, disse Stone. A Voyager 1 e a Voyager 2 estão atualmente a cerca de 148 UA (22.200m km) e 122,4 UA (18.400m km) da Terra, respectivamente.

PUBLISHED: 07/11/2019; STORY: Graphic News
Graphic News Standards